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Crítica: A Senhora da Água



O Sexto Sentido
, O Protegido, Sinais e A Vila são filmes que tenho na minha colecção e que me dão sempre um enorme prazer revisitar. M. Night Shyamalan, que escreveu e realizou todas estas obras, e que é um dos mais talentosos realizadores e argumentistas da sua geração, estreou o ano passado nos cinemas A Senhora da Água, que foi das maiores desilusões que já tive relativamente a um filme.
A Senhora da Água foi dizimado pela crítica americana, mas isso não era nada que não se esperasse, já que tinha sido assim com os seus dois filmes anteriores, pelo que de certo modo, até o considerei um bom sinal.

No entanto uma grande parte das críticas ocupavam mais linhas a dizer mal de Shyamalan do que do seu filme. O que não teria sido muito correcto, não tivesse o realizador ocupado mais minutos do seu filme a mostrar a sua superioridade intelectual aos críticos de cinema, em vez de se preocupar em contar uma história minimamente envolvente.

No filme, um homem, Cleveland Heep, encontra na piscina do prédio de que cuida, uma narfa, criatura de forma humana, de um lugar mágico perdido na história. Esta narfa vai levar vários dos habitantes do prédio a unirem-se na tentativa de a salvar do monstro que a persegue (um animal mítico ridiculamente concebido) e a devolverem-na ao seu mundo. Mais importante que tudo isto é o tema principal do filme, que os adultos vão perdendo a inocência com que olham para o mundo e crescendo em cinismo, e não conseguem apreciar os pequenos milagres que nos rodeiam todos os dias... Um tema que já deu alguns grandes filmes. Não o caso deste, infelizmente.

O problema é que Shyamalan não se preocupa, como já disse, em contar uma história que faça sentido ou que envolva o espectador. Através de vários artifícios mais ou menos óbvios todo o filme é construído com o objectivo de "mostrar" aos críticos de cinema que se eles dizem mal dos seus filmes, é porque com o seu cinismo não conseguem apreciar a simplicidade e beleza das histórias que ele escreve.

E vejamos ao ponto extremo a que o realizador leva a sua cruzada. Ele próprio, que entra em todos os seus filmes em pequenos papéis, tem aqui o seu maior papel, e logo como um escritor que, diz-lhe a narfa, vai no futuro escrever um livro que vai ser o livro mais importante de sempre e que vai inspirar grandes líderes a mudar o mundo. Pior ainda, vive no prédio um crítico de cinema.

O crítico de cinema acaba por ser o vilão do filme, porque é através da sua cínica interpretação dos filmes que o nosso herói vai tentar salvar a narfa. Mas claro, o crítico, como já não vê o mundo com a inocência de uma criança (ponto que é reforçado vezes sem conta ao longo do filme, em cenas absolutamente ridículas) dá informações erradas, e isso quase custa a vida à narfa... Mas fica ainda pior... O que lhe acontece no fim (ao crítico)  é a cena mais idiota que já fim num film. E não estou a exagerar.

Além disso, o filme é chato. Principalmente na primeira metade, em que não acontece absolutamente nada que avance significativamente a história.

Uma grande parte da crítica nacional adorou o filme. Se calhar fui eu que não percebi a mensagem de Shyamalan. O que é certo é que nunca pensei ver um realizador e argumentista que tanto admiro fazer um filme que eu detestasse tanto. Para a próxima será melhor...

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