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Críticas: Touro Enraivecido (Raging Bull)

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Quando falamos de Raging Bull vem-nos imediatamente à cabeça a espantosa transformação que Robert de Niro fez para encarnar o campeão de pesos-pesados, Jack La Motta.


De facto foi essa transformação que acabou por valer a De Niro o seu segundo Óscar – primeiro como principal – e trouxe o filme para a ribalta. Mas reduzir Raging Bull a apenas isso é extremamente redutor.


Em primeiro lugar porque é um filme de Martin Scorcese. Estávamos em 1980 e já nessa época Scorcese era tido como um grande valor do cinema americano. Tinha realizado Táxi Driver e Alice Doesn´t Live Here Anymore. Foi então que, andava Scorcese com um guião nas mãos – curiosamente era Gang´s of New York, que só viu a luz do dia mais de vinte anos depois – quando lhe propõem realizar um filme baseado no livro auto-biográfico de Jack La Motta. O realizador aceitou e decidiu de imediato que só um actor podia representar o papel : Robert de Niro.


O problema era que De Niro era magro, não tinha peso para ser La Motta. Foi assim que o actor se sujeitou a engordar 30 kilos para poder representar fielmente a personagem. E assim o foi. Durante o longo do filme, de Niro é poderosíssimo como nunca o tinha sido antes nem voltaria a sê-lo. Qualquer das cenas, quer no ringue, quer nos flamejantes diálogos com Joe Pesci ou Cathy Moriarty, são ao nível da perfeição. O Óscar foi-lhe atribuído sem a miníma contestação.


Filmado a preto e branco, numa época em que tal era já raro, o filme centra-se não apenas na carreira de Jack La Motta, mas no seu estilo de vida extremamente violento, que irá conduzir à decadência. E aí, de Niro é notável.


Mas o filme não é só de Niro. É também Joe Pesci, que começa aqui uma das mais espantosas carreiras de um actor predominantemente secundário, nos últimos 20 anos. Pesci, é a encarnação perfeita do irmão, que é também agente, de um campeão em estado de decadência. A cena em que ambos discutem à volta da mulher de La Motta ficará sempre na memória dos cinéfilos. O casting foi perfeito, a actuação também. Quem ganhou fomos nós.


Para além destes o filme conta com outras boas interpretações, casos de Frank Vincent, Nicholas Colasanto e Mário Gallo, actores predominantemente ítalo-americanos, ao estilo de Scorcese. Curioso é ver que no elenco podemos encontrar Charles Scorcese, o pai do realizador. Não seria a última vez que ambos trabalhariam juntos, pois repetiram a parceria em A Cor do Dinheiro, Goodfellas - Tudo Bons Rapazes, A Idade da Inocência e Casino.


Em suma, Raging Bull não é apenas um grande filme, o melhor de 1980 (apesar de ter sido preterido pela Academia em detrimento de Gente Vulgar de Robert Redford). É um retrato perfeito de como uma equipa realizador-actor (De Niro é o actor fetiche de Scorcese) trabalha em perfeita sintonia, conseguindo alcançar a perfeição. Duplas de renome no cinema houve muitas e todas tiveram um filme que marcou essa parceria. A dupla Scorcese-de Niro será eternamente recordada por Raging Bull.


Miguel Lourenço Pereira - Hollywood


Realizador : Martin Scorcese


Ano : 1980


Elenco : Robert de Niro, Cathy Moriarty, Joe Pesci, Frank Vincent


M/16


129 minutos


Classificação :


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Preço: 19,95€